1 de julho de 2016

Azeite Oliveira Ramos Premium Virgem Extra 2015 -1016


Do premiado de 2015 falámos aqui.

Este ano, a acompanhar um bacalhau Vila Santa, experimentamos, cá em casa, a mais recente edição. Resultado: o bacalhau ficou muito agradecido por se besuntar num azeite complexo mas fresco, com o habitual sabor a verde folha de oliveira, casca de banana verde e erva mas este ano mais marcado pelos frutos secos e... por uma baixa de preço significativa (quase metade). Não precisavam de melhorar tanto...


Classificação: Azeite Virgem Extra 
Cultivares: Galega, Cobrançosa e Picual
Região: Alentejo - Estremoz
Tipo de solo: Xisto em adiantado estado de metamorfização
Colheita: Manual com as azeitonas ainda no estádio de maturação levadas ao lagar para extracção dos azeites a partir de frutos frescos, sãos e íntegros.
Extracção: Por centrifugação de duas fases totalmente automatizadas.
Conservação: Até ao momento do engarrafamento, em depósitos de aço inoxidável, com gás inerte, em ambiente de temperatura controlada e ao abrigo da luz,

Análise química:A cidez (% ácido oleico) / 0,2
Produtor: João Portugal Ramos
PVP: 8,99€

5 de abril de 2016

Marquês de Borba branco 2015


A amizade, como se sabe, deve ser sempre cultivada, que é como quem diz, regada. Dai que, aos primeiros raios de sol do Porto, com um robalo grelhado, tentei-o. É um quase velho amigo que nunca me deixou ficar mal na relação qualidade-preço, mas foi a teste de 2015, que isto da amizade é também isso: uma permanente interrogação.

A cor citrina aberta e o aspecto limpo impressionou a mesa (composta por mim e pela minha princesa: uma multidão). Os aromas são muito intensos. Encontrei lima, muito ananás, manga e citrinos maduros. Tudo fresco e expressivo com um toque mineral que permanece como uma boa amizade (lá está!).  Surpreendentemente encorpado mas ao mesmo tempo leve na boca, merece uma nota final para a excelente baixa graduação alcoólica escolhida que até permite que seja servido como aperitivo. Continuamos os melhores amigos. E isso não é coisa pouca, pois não?

Região: DOC Alentejo
Castas: Arinto, Antão Vaz, Viognier
Álcool: 12,5 % vol.
Tipo de Solo: Argilo-cálcarios, xistosos
Vindima: As uvas são colhidas manualmente de manhã cedo, para pequenas caixas, para preservar a frescura.
Vinificação: A fermentação decorre em cubas de inox com controle de temperatura.
Produtor: João Portugal Ramos - Vinhos, SA
Preço PVP: 4,99€
Enólogo: João Portugal Ramos

9 de janeiro de 2016

Vila Santa Reserva Tinto 2013


A história mais popular da Rainha Santa Isabel que este vinho homenageia é a do milagre das rosas. Segundo a lenda (e não, este vinho não tem aroma a rosas), a rainha saiu do Castelo do Sabugal numa manhã de Inverno para distribuir pães aos mais desfavorecidos. Surpreendida pelo soberano, que lhe inquiriu onde ia e o que levava no regaço, a rainha teria exclamado: "São rosas, Senhor!". Desconfiado, D. Dinis inquirido: "Rosas, em Janeiro?." A Raínha expôs então o conteúdo do regaço do seu vestido e nele havia rosas, ao invés dos pães que ocultara.

O sec. XXI, não sendo tão dado a milagres como o séc. XIV da Santa, estará mais fadado para bons casamentos, no caso, entre os frutos pretos maduros e especiarias. Carnudo, enche bem a boca do povo e tem nota de realeza quem lhe notar os taninos macios e souber que parte da colheita é pisada em lagares de mármore. Apimentado e com final persistente é a rusticidade do Alicante Bouchet que lhe dá o porte singular que vão notar. Consensual, enfim.

Região: Regional Alentejo
Castas: Aragonez, Touriga Nacional, Syrah, Cabernet Sauvignon e Alicante Bouschet
Produtor: João Portugal Ramos - Vinhos, SA
Preço: 10€
Álcool: 14%
Enólogo: João Portugal Ramos

26 de dezembro de 2015

2015, o ano dos Wine Bars



Um balanço vínico de fim de ano está sempre errado. Os anos que as vinhas demoraram a produzir prejudicam esse exercício anual. Contudo, foi possível perceber que o palato dos portugueses se inclinou muito para o Encruzado e renovou o gosto pelo Alvarinho. Vi muito branco e espumante na boca dos portugueses... Vi também muita ousadia nas garrafas, nos rótulos (atenção à Quinta do Pôpa, neste item), nos vinhos e nas vendas (caem Angola e Brasil e sobem Canadá e EUA e crescemos entre 3-4%). Por fim, temos a esperança de este ano poder ser melhor que os últimos três e a certeza que nossos empresários já perceberam que fazer vinhos é importante tal como os apresentar diretamente ao consumidor: 2015 foi o ano dos Wine Bars e isso pode fazer toda a diferença. SAÚDE!

7 de dezembro de 2015

Monte dos Cabaços Reserva 2007



Touriga Nacional, Alicante Bouchet, muito cuidado e um estágio de inverno em barricas novas de carvalho francês. Na semana passada, a célebre lista dos melhores 100 vinhos do mundo publicada pela revista norte-americana “Wine Enthusiast” colocava-o em 22º lugar o Monte dos Cabaços Reserva 2007. (Acabo de formular o meu desejo de natal).

6 de dezembro de 2015

Feeling Grape Wine & Food Ateliê


O Porto não pára de crescer (e surpreender). Agora é na área da oferta de vinhos com a inauguração de Feeling Grape Wine&Food Ateliê, um espaço para harmonizar vinhos mas também de gastronomia e sentimentos. A ideia é arrojada e passa por criar em simultâneo um espaço de negócios que seja informal e um diferente para particulares. Estes até podem trazer os produtos e utilizar a cozinha ou contratar um chefe que prepare tudo. Também haverá eventos temáticos periódicos para grupos como o ‘Wine Date’ e escapadelas gastronómica de harmonização vínica com ementa secreta e, claro, as inevitáveis (mas muito pouco bem sucedidas na invicta) experiências de prova de vinhos. Por fim, é preciso dizer que há aqui herança do Douro. Os responsáveis são os produtores da Quinta do Pôpa que é, como não podem duvidar, pois até vos ficava mal, absolutamente recomendável. (Rua da Alegria, 892, Porto).

21 de novembro de 2015

Beaujolais ou Rosé?


Feito por um método especial de produção chamado maceração carbónica são a nova loucura francesa. Por cá, tivemos algumas tentativas como o caso do Quinta dos Carvalhais Dão Novo, mas sem o sucesso apesar das virtudes da casta Jaen. O Beaujolais que pode ser uma alternativa ao nosso Rosé é pouco alcoólico e barato (em França rondará entre 5 e 7 euros). Contudo, reparem nisto: em 2014 a sua produção rondou as 28 milhões de garrafas e o Comité Interprofissional disponibilizou 550 mil cavaletes, 255 mil cartazes, 100 mil balões, etc., para a promoção. É preciso explicar mais?

25 de maio de 2015

Foz Torto tinto 2012


Era uma vez... um engenheiro informático (Abílio Tavares da Silva) que um dia sonhou que não era aquilo o que queria da vida. Vendeu todas as empresas, partiu para o Douro e, como é normal acontecer a quem faz isso, apaixonou-se imediatamente pelo vinho e pelo enoturismo. E fez muito bem, pois este vinho que de lá trouxe, também responsabilidade da enóloga Sandra Tavares da Silva (os apelidos são mera coincidência), deixou-me com muita sede.

Com a touriga nacional a dominar a touriga franca, a tinta francisca e tinta roriz é de veludo o bom aroma de fruta vermelha que apresenta. Embelezado com excelentes notas de fruta, a madeira que se sente está impecavelmente integrada. A beber já (pois os 12€ que me custou vão ser em breve um preço do passado)...

23 de maio de 2015

Pouca Roupa (a versão "trendy" de Portugal Ramos)



Primeiro, a carga simbólica deste vinho: é o primeiro trabalho de João Portugal Ramos desenvolvido em conjunto com o filho, também enólogo, o jovem João Maria. Depois, o target: claramente dirigido a um leque de consumidores mais jovens e por isso, claramente, fácil de beber e com concepção algo trendy. A gama situa-se entre o Lóios (já aqui falado) e o Marquês de Borba .

O Pouca roupa Branco 2014 (3,99€ ) tem uvas das castas verdelho, sauvignon blanc e viosinho fermentadas e estagiadas em inox. Tem um leve toque de fruta tropical e limão algo demasiadamente pronunciado (dependerá dos gostos). Na boca, a folha de limoeiro é, por isso, bastante evidente.

Quanto ao Pouca Roupa Tinto 2014 (3,99€ ) as uvas alicante bouschet, touriga nacional e alfrocheiro fermentaram e estagiaram em cubas de inox, com a introdução de aparas de carvalho francês e aqui é a madeira que vai ao vinho. No nariz revela ervas e frutos vermelhos. Na boca é suave e sente-se o um equilibro sem grandes complexidades mas, e em especial, pelo preço muito bem conseguido.

21 de maio de 2015

Black Pur ( à l’avenir! )



Vamos começar pelo fim, à boa maneira do Brás Cubas, do Machado de Assis (ainda que sem dedicar alguma coisa aos vermes): a crise aguçou a qualidade da Quinta do Portal e aqui estou eu, de regresso da Livraria Lello, para exigir a vossa concordância com o que vai ser dito.

O portfólio desta muito minha preferida quinta do Douro (aqui a objectividade é completamente subjectiva, tenham paciência) acaba de ser alargada com o novo e imperial tinto de "influência" francesa: Black Pur.

O dito esteve escondido no magnífico armazém da Quinta do Portal, desenhado por Siza Vieira, o tal que guarda brancos a preços muito interessantes e tintos de elegância e frescura de que já aqui falamos, além de Grande Reservas, que quanto mais tempo na garrafa melhor - caso impressionante: o Auru, o topo de gama da casa, cuja única má noticia é só mesmo preço (cerca de 80 euros).

Mas hoje não é de portfólio "regular" que se fala. Chegamos ao Black Pur (ou ele chegou até nós?) pela bem colocada e melhor disposta voz de um jovem poeta que importa dar de beber: Renato Filipe Cardoso. Ele pintou a apresentação do vinho com as coisas da vida moderna de Baudelaire, anónimos de bons vinhos e com o bom ortónimo (ainda sem pseudónimos, acho); quase ofuscou as uvas, que maldade!

Mas voltando ao grande desafio, exigia-se a resposta a isto: é possível juntar duas castas como a Cabernet Sauvignon (30%) - de muita duvidosa reputação - e a bonita Malbec (70%)? Não vos farei perder mais tempo. Da Quinta da Abelheira, em Favaios, uma das várias propriedades da empresa e com um rótulo indiscutivelmente imperial, este Black Pur responde que sim.

A sua cor negro violeta não engana sobre o acerto total e o aroma de frutos maduros e pretos também não esconde o que vem ai: um final guloso e muito fresco. E é aqui que vos digo que o desafio está ganho. Para lá da estrutura equilibrada e do elegante volume na boca, temos isto: uma bela frescura aromática final. O grande trunfo! Saúde!

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A produção é pequena e o vinho só estará à venda na quinta e em garrafeiras. Preço PVP: 30 euros. Produtor: Quinta do Portal.